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23 de jan. de 2012

Sobre amor, doação e dor

Boa noite pessoas lindas! Tudo bem? Sei que estou meio sumida mas as férias e a formatura consumiram todo o meu tempo. Além disso, depois de "gastar" minha mente escrevendo o bendito T.C.C. fiquei com poucos neurônios e pouca criatividade para escrever. Porém, venho aqui hoje refletir um pouco sobre o título proposto. 
Ontem passei a tarde de domingo tendo uma ótima e enriquecedora conversa com meu amigo Gabriel Augusto, que vale a pena ser explanada mais aqui.
Tudo começou quando ele fez o seguinte post em seu face:


"(…) E não é o que acontece? 
Digo, nosso amor nunca acaba, o que acaba são as relações…

– Pensar assim me assusta.

– Por que? Você acha isso ruim?

– É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais…

– Você usou o verbo ‘doer’ ou ‘doar’?

(Pausa)

– Pois é, também dá no mesmo".

(Caio Fernando Abreu)





Este pequeno me fez pensar que não dá pra separar os sentimentos. Pessoas que realmente amam se doam... e quando não recebem amor de volta, dói. Meu amigo então disse: "Amor, doação, dor.Três palavras. Palavras essas que resumem bem a vida de um verdadeiro amante." E não é mesmo? Pensando sobre isso lembrei-me que Vinicius de Moraes disse: "um poeta só é grande se sofrer". Este poema de Vinicius fala sobre o amor de uma forma tão bonita e ao mesmo tempo dolorosa, levando a crer que o amor grande, verdadeiro, bonito... também é sofrido! Segue abaixo o poema:


Eu não existo sem você (Vinicius de Moraes)

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você



Analisando os tantos poemas escritos por mim mesma percebi que poderia escrever mil poemas de amor que em todos eles haveria alguma forma de dor ou sofrimento... Da mesma forma percebo isso em todos os poetas. Por que será? Será que os poetas que foram felizes no amor não escreveram sobre ele? Observando meus queridos Vinicius de Moraes e Tomás Antônio Gonzaga só consigo encontrar queixas de amores não correspondidos... ou amores separados por destinos e acasos...
Ainda pensando em amores intensos lembrei-me do Soneto de Fidelidade, também do Vinicius:


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.



Vinicius sabe das coisas... viver um amor tão intensamente, se entregando de corpo e alma sabendo, porém, que, se não a morte, o fim de quem ama é a solidão... e estando nessa solidão ele poderá dizer que viveu um amor infinito, o que implica não na eternidade das coisas pois o amor é uma chama que um dia pode se acabar, mas um infinito de emoções, de sensações, um infinito de entrega... pelo tempo que dure...


Não queria chegar à nenhuma conclusão neste post, afinal, acho que o amor sempre vai ser a dádiva e a maldição dos homens. Podemos pensar, refletir, discutir, conversar... mas somente quem ama consegue sentir a emoção e o calor, a doação e a dor. A dor. Sempre vai existir a dor.


Amor, doação e dor.

1 comentários:

Josemir disse...

Samantha,


Prefiro pensar que poetas vivem de amor, vivem intensamente tudo o que o amor pode dar. Vinicius, por exemplo, era movido a paixão. Se vc não assistiu ainda veja o documentário do Miguel Farias jr "Vinicius de Moraes - Quem pagará o enterro e as flores, se eu me morrer de amores". É fácil de achar nas locadoras. Lá vc vai entender um pouco mais da vida e dos amores desse poeta.
E só para esquentar o debate tem o Fernando Pessoa e seu poema sobre as cartas de amor: "Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, como as outras, ridículas. As cartas de amor, se há amor, têm que ser ridículas. Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas.

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