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14 de mar. de 2010

O problema na falta de significação...


A pior coisa que existe, a que deixa o coração mais inquieto, é não saber interpretar as coisas que as pessoas falam, e também as coisas que não são ditas. A dor é tão profunda, mas ao mesmo tempo, não existe dor, porque não se tem certeza de nada. Existe uma felicidade profunda e ao mesmo tempo não existe felicidade nenhuma, pois nada se sabe. A única coisa que realmente existe é a esperança, essa sim é que dá forças para continuar, para sonhar, para esperar que exista algo realmente: se for felicidade, que venha logo, para acabar com toda a dor profunda e com toda a dúvida. E se for dor, que venha também, para que possa ser enfrentada, para que pelo menos se tenha certeza de algo.
Percebo que nós, seres humanos, em nossa humilde existência, temos uma mania incontrolável e espontânea de sempre achar que as coisas são como nós queremos que sejam. Sempre achamos que as pessoas que amamos também vão nos amar; que o emprego do qual gostamos vai querer alguém exatamente do nosso perfil; que o mundo vai girar ao nosso redor e todas nossas vontades serão realizadas. No fundo todos nó sabemos que isso não acontece e que a vida não é tão perfeita. Mas é tão incondicional esse poder que existe em nossos pensamentos! Essa enorme esperança e o otimismo inconsciente que existe dentro de nós! Diante de duas interpretações, sempre levamos para o lado que mais nos agrada. A gente até chega a cogitar a idéia oposta, mas aí paramos, e o coração fala mais alto. Nessa hora, tudo parece flores e temos a certeza mais que absoluta de que nossa interpretação é a correta. Mas quantas vezes quebramos a cara! O pior dessa falta de entender as significações é nunca estar seguro, nunca estar protegido dessa horrível e irremediável tendência de ser otimista. Mesmo aqueles que se julgam pessimistas, céticos, sempre acreditam no lado bom das coisas, no lado que te satisfaz.
Ah! Como seria bom se todas as pessoas viessem com manual de instruções! Assim seria como comprar um carro. Escolheríamos aquele que mais satisfizesse nossos desejos e expectativas. Saberíamos “traduzir” todos os gestos e falas da pessoa. Aí sim, nunca estaríamos enganados, nunca nos apaixonaríamos por pessoas que não existem e não precisaríamos viver a vida só de esperanças.
Mas como seria a vida assim? Como seria se tudo fosse certo, se tudo fosse exato como a matemática? Um pouco mais seguro, com certeza. Um pouco mais previsível. Um pouco mais irreal. Um pouco mais feliz? Ou talvez, mais sem graça, sem aventuras, sem adrenalina?
Nem eu sei responder. Minha enorme tendência de ser humano de carne e osso diria, sem pensar, que o mundo seria melhor, que as pessoas não sofreriam. Mas minha mente sã, a parte inteligível do meu ser, acha que a vida seria uma “coisa sem vida”, afinal, só sabemos o quanto a felicidade é importante depois que passamos pelo sofrimento...


BeJInHoOoOSsSsSs

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